"Meu texto, não quer ser útil, não quer ser moda, não quer estar certo. Meu texto não quer ser belo, não quer ser feio, não quer nascer pronto. Meu texto não quer traduzir, não quer protestar. Não quer ser sucesso, não quer ser reflexo, não quer revelar nada. Meu texto não quer me pertencer. Não quer ser história, não quer ser resposta, não quer perguntar. Meu texto quer estar além do gosto, não quer ter rosto, não quer ser cultura. Meu texto não quer ser de categoria nenhuma. Meu texto quer ser só texto. Meu texto não quer ser pouco." ( Adriana Calcanhotto) [Modificado]



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Passeando pela blogosfera encontrei esse poema, que amei. A autora é a Kamyla Laiá, do blog Vagalume Elétrico. Super indico.


Abri a porta de casa.
No meio da sala tinha um sapato, tinha um sapato no meio do caminho.
No meio da cozinha tinha uma meia, tinha uma meia no meio do caminho.
No meio da área de serviço tinha uma calça, tinha uma calça no meio do caminho.
No meio do corredor tinha uma camisa, tinha uma camisa no meio do caminho.
No meio do banheiro tinha uma cueca, tinha uma cueca no meio do caminho.
Parei em frente a porta do quarto e pensei:
Espero que ele esteja pelado na cama, ou vou matar esse filho da puta.


Autor: Kamyla Laiá.

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