"Meu texto, não quer ser útil, não quer ser moda, não quer estar certo. Meu texto não quer ser belo, não quer ser feio, não quer nascer pronto. Meu texto não quer traduzir, não quer protestar. Não quer ser sucesso, não quer ser reflexo, não quer revelar nada. Meu texto não quer me pertencer. Não quer ser história, não quer ser resposta, não quer perguntar. Meu texto quer estar além do gosto, não quer ter rosto, não quer ser cultura. Meu texto não quer ser de categoria nenhuma. Meu texto quer ser só texto. Meu texto não quer ser pouco." ( Adriana Calcanhotto) [Modificado]



quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval de adulto...


Nesse carnaval eu queria curtir...
sair pra curtir a praia, voltar cansada e bronzeada, tirar uma soneca, cair na folia... beber até esquecer quem eu sou, beijar na boca, passar a mão boba em algum desconhecido e dançar... até meus pés pedirem para eu parar...
aí eu iria dormir, até começar mais um dia... assim enquanto houvesse folia...
mas aí lembrei que não sou mais adolescente... e nem solteira.
E como as coisas mudam...
Primeiro quando a gente sai da adolescência e tem que enfrentar um mundo impiedoso de consumismo e exigências. Você tem que comprar, fazer, pensar, tudo de acordo com o padrão, e se fugir você não se adequa... então é “bem-vinda ao clube dos excluídos”.
Aí você encontra uma pessoa legal, que parece gostar de você, então vocês decidem que já está na hora de tomar responsabilidade, afinal, os dois não são mais adolescentes, lembra?
Casam, têm filhos... a família está construída...
mas surge o problema.
Não são mais adolescentes, mas queriam ser.
Não que seja ruim constituir família, os filhos são uma benção e as coisas nem andam tão ruins assim para reclamar.
Mas é na adolescência que a gente comete as “burrices perdoáveis”, é nessa fase que a vida é uma grande brincadeira, a gente se entrega, se joga, cai e levanta rindo de tudo... é tudo tão mais leve.
Sair, beber, chorar bêbado, falar palavrão, namorar, dormir tarde, acordar mais tarde ainda... sem o medo de perder o emprego, de magoar o “príncipe encantado”, de dar mal exemplo... a lista é tão longa.
Nessa fase a palavras PREOCUPAÇÃO até já faz parte do vocabulário, mas seu significado ainda é tão incompleto... e a gente reclama... reclama de tudo, só por birra mesmo, o tal do rebelde sem causa.
Quanta saudade tenho de minha adolescência...
mas é assim que deve ser mesmo, porque saudade a gente tem daquilo que passou, que está lá no lugarzinho certo, na cemitério das lembranças, no cantinho do coração que dói de vez enquanto, mas não o suficiente para se fazer presente.
Bom seria se pudéssemos ter uns momentinhos de adolescência de vez em quando, só pra matar a vontade, e não ela matar a gente.. pra gente rir mais, dançar mais, beber e falar besteira, e chorar também... (risos), viver mais leve...
Êpa, espera aí... mas quem disse que a gente não pode?

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