"Meu texto, não quer ser útil, não quer ser moda, não quer estar certo. Meu texto não quer ser belo, não quer ser feio, não quer nascer pronto. Meu texto não quer traduzir, não quer protestar. Não quer ser sucesso, não quer ser reflexo, não quer revelar nada. Meu texto não quer me pertencer. Não quer ser história, não quer ser resposta, não quer perguntar. Meu texto quer estar além do gosto, não quer ter rosto, não quer ser cultura. Meu texto não quer ser de categoria nenhuma. Meu texto quer ser só texto. Meu texto não quer ser pouco." ( Adriana Calcanhotto) [Modificado]



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dizeis que músicas escuta e eu te direi quem tu és...



Ultimamente tenho observado, meio que despretensiosamente, o gosto musical dos motoristas de ônibus.
Como frequentadora assídua desse tipo de transporte, constantemente me deparo com um motorista que adora uma música, algumas vezes em volume altíssimo, para embalar sua viagens pela cidade.

Já me deparei com vários estilos, desde o pagode romântico ao brega, passando pelo forró e pelo gospel com muita facilidade. Já vi fã do Rei Roberto, e até um lunático pelo Zezo [quem?].

Mas, o que o gosto musical do motorista de ônibus tem de tão interessante? Muito.
Todos os dias pego o mesmo ônibus, sempre no mesmo horário, mas não com o mesmo motorista... porém, eles passam a fazer parte do nosso cotidaino, e nós não o conhecemos, às vezes [na maioria] não sabemos seu nome.
Mas quando observamos seu gosto musical, podemos conhecer um pouco sobre eles. Porque a música faz parte da história das pessoas, elas se expressam, se entendem, se perdem em pensamentos, através da música.
Existe muito da personalidade de cada um nas músicas que escuta. É a expressão póetica que o ser humano encontra de dizer o que sente através das palavras de outra pessoa.
Quem nunca se pegou dizendo: -"Essa música foi feita para mim"...

Mais do que conhecer, aprendemos a conviver com as diferenças.
Temos que aceitar, mesmo que algumas vezes a contra-gosto, seguirmos viagem "apreciando" aquele estilo que não é o nosso. Um exercício diário de tolerância.
Sem falar que podemos até aprender a gostar. Um cantor desconhecido, um estilo que rejeitamos preconceituosamente... naquele percurso pode acontecer de tudo.
Eu, por exemplo, nunca fui de ouvir pagode, mas já ouvi uma música que me inspirou a fazer um texto bem legal [depois posto aqui].
Enfim, temos muito que aprender como a diversidade que a música oferece, por isso, observem o que os "seus" motoristas estão escutando... talvez voc se surpreenda.

Enquanto isso, no meu itinerário ontem era pagode, hoje MPB, amanhã talvez um rock... quem pode saber, não é?
O importante é apreciar! E respeitar!

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